Nova soja da Embrapa vem aí

Posted Outubro 30, 2009 by intecpesquisa
Categories: Notícias de tecnologia

Presidente da CTNBio não vê problema no produto americano

A segunda geração dos transgênicos ainda não chegou ao país, mas deve entrar em breve na pauta de discussões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A previsão é do presidente do órgão, o bioquímico Walter Colli. Ele afirmou que a liberação da soja com ômega 3 nos EUA abre caminho para que o produto chegue à América Latina.

- A comissão ainda analisa trangênicos de primeira geração. Mas, agora que liberaram nos EUA, não tenho dúvidas de que virá logo para o Brasil – disse.

Colli manifestou simpatia pela nova soja. Para ele, a invenção pode democratizar o consumo de ômega 3, que só existe naturalmente em alta concentração em peixes nobres, como salmão e atum.

- As pessoas de baixo poder aquisitivo não conseguem comprá-los. Se o óleo de soja for enriquecido com a substância, mais gente poderá consumi-la – afirmou o presidente da CTNBio. – Não acredito que seja uma panaceia, mas parece melhor do que o que está disponível hoje.

Colli deixou claro que apoiará a liberação do produto, caso fique comprovado que ele tem as propriedades anunciadas pela fabricante. Até o fim do ano, a CTNBio deve analisar o pedido de liberação da primeira soja transgênica brasileira, desenvolvida pela Embrapa.

Segundo Colli, ela seria mais resistente a herbicidas do que a natural.

- Será a primeira soja transgênica brasileira. Se o produto for bom, será positivo aprová-lo. Com isso, o Brasil pode fincar um pé no mercado chinês, hoje dominado pela Monsanto – disse.

(Bernardo Franco Mello)

Transgênica e mais nutritiva

A chamada segunda geração de transgênicos parece estar pronta para finalmente ir dos laboratórios para a mesa. A Administração de Remédios e Alimentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) considerou segura para consumo humano uma soja geneticamente modificada para conter alta concentração de ômega 3. Esse nutriente normalmente só é encontrado em boa concentração em peixes como o salmão.

A soja, desenvolvida pela multinacional Monsanto, poderia ser usada em margarinas. Com a aprovação, a indústria alimentícia americana poderá testar a novidade em seus produtos a partir deste mês, segundo a revista britânica “New Scientist”.

Chegada ao mercado em 2010

A expectativa é que produtos enriquecidos com o óleo de soja transgênica cheguem ao mercado no fim de 2010 ou no início de 2011.

Os transgênicos de segunda geração são aqueles que prometem benefícios para a saúde do consumidor. Os da primeira acenam somente com vantagens econômicas para os agricultores. Exemplos são os grãos resistentes a insetos e herbicidas, que estão no mercado há mais de dez anos. Além da Monsanto, Basf e Du Pont pretendem lançar em breve transgênicos de segunda geração.

O ômega 3 é o nome dado a ácidos graxos, considerado uma gordura “do bem”, associado à redução do risco de infarto e derrame. Geralmente, ele é encontrado em peixes de água fria, como o salmão e a sardinha. Segundo seus defensores, a nova soja poderia também aliviar a pressão nos estoques desses peixes, que sofrem com a sobrepesca graças à procura de óleo com a substância.

Uma pesquisa recente, feita pela Universidade de Harvard, concluiu que, nos Estados Unidos, a ausência de ômega 3 numa dieta é a sexta principal causa de mortes que poderiam ser evitadas.

Algumas plantas, como a linhaça, produzem um tipo de ômega 3 chamado ácido alfa-linolênico (ALA). Uma forma de aumentar a quantidade de ômega 3 numa dieta é ingerir linhaça ou então margarinas ou demais produtos que contenham ALA.

Entretanto, apenas uma pequena quantidade de ALA é convertida pelo corpo em ácidos graxos que possam ser efetivamente utilizados pelo organismo. Já os óleos de peixe são ricos em dois tipos de ômega 3: DHA, importante para o sistema nervoso e o cérebro, e EPA, importante para o sistema cardiovascular.

Na pesquisa para produzir grãos com ômega 3 EPA, cientistas inseriram dois genes no genoma da soja – um extraído de uma planta semelhante à prímula e outro tirado de um fungo. A soja modificada produz, então, ácido estearidônico (SDA). Como o ALA, esse ácido é convertido em EPA no organismo humano, mas em proporções muito maiores. A nova soja, porém, não tem concentração maior do DHA.

- Para obter um grama de EPA, a pessoa precisaria ingerir entre 3 ou 4 gramas de SDA e cerca de 20 gramas de ALA – afirma David Stark, representante da Monsanto.

Não existe uma recomendação oficial sobre o consumo diário de ômega 3. Segundo a GOED Omega3, empresa que produz produtos à base da substância, o consumo próximo do ideal só é alcançado em países nos quais existe uma grande tradição de consumo de peixes entre a população, como o Japão e a Islândia.

Segundo a Monsanto, menos da metade de um hectare seria o suficiente para produzir a mesma quantidade de EPA presente em 10 mil porções de salmão.

- Não há peixes suficientes para oferecer a quantidade de EPA e DHA que precisamos. Por isso, esse é um avanço positivo – diz Jack Winkler, chefe da Unidade de Política da Nutrição da Universidade Metropolitana de Londres.

(O Globo, 29/10)

Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=66961

Acesso em: 29 out. 2009.

Quarta sessão do Cinedebate Intec apresenta filme “Frankenstein”

Posted Outubro 21, 2009 by intecpesquisa
Categories: Notícias de tecnologia, Sociologia da Tecnologia

 

cartaz frankenstein cor preta

             O Cinedebate Intec chega a sua quarta sessão propondo a discussão do filme “Frankenstein”. O filme foi escolhido pelo público na última edição do Cinedebate e é o segundo da mostra “Demiurgo”, a qual debate o problema da criação tecnológica pelo homem. Frankenstein de Mary Shelley foi lançado nos Estados Unidos em 1994, com produção de Francis Ford Coppola e atuação de Robert de Niro no papel da criatura. A obra é baseada no livro de Shelley, o qual narra a criação de um ser que possa vencer a morte.

            Após a apresentação do filme, haverá um debate conduzido pelo prof. Dr. Joel Paese, docente do departamento de Sociologia e Ciência Política da UFMT e coordenador do Intec. Questões como se a ciência e a tecnologia tornam obsoleta a busca do transcendente, se é possível controlar os riscos do desenvolvimento científico e tecnológico e o que justifica a ciência e a tecnologia sendo que elas não têm um telos são algumas das que a discussão de Frankenstein pretende abordar.

            Segundo Paese, a escolha pelo filme em questão se justifica porque “Frankenstein se articula em torno de uma questão central: pode o homem, pelo uso da razão na forma de ciência e tecnologia, tornar-se Deus? Sendo que tal questão trata de um problema fundamental que permite desvendar a essência da modernidade, entendida como um projeto tecnológico” argumenta.

            O próximo Cinedebate Intec ocorre no dia 31 de outubro, às 9h, no Auditório I do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFMT. No último sábado de novembro, ocorre a última sessão do ano com o filme “O Exterminador do Futuro 4”.

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 Trailer de Frankenstein de Mary Shelley

 Programação completa do Cinedebate Intec

O poder revolucionário da nanotecnologia

Posted Outubro 3, 2009 by intecpesquisa
Categories: Uncategorized

“Por ser muito nova, a nanotecnologia ainda enfrenta preconceitos e equívocos”

Ethevaldo Siqueira escreve para “O Estado de SP”:

Nanotecidos não molham nem mancham. Nanocristais de óxido de zinco podem ser utilizados para fabricar telas ou filtros solares invisíveis, capazes de bloquear a luz ultravioleta. Nanocristais de prata matam bactérias e previnem infecções. O nanoalumínio é um perigoso explosivo.

A nanoplatina é um catalisador incrível, que acelera a velocidade das reações químicas. O ouro nanométrico tem propriedades radicalmente diferentes desse metal em seu estado normal. Uma faca de cozinha com fio de corte nanométrico é um instrumento tão afiado que bastará encostar levemente na pele e já estará cortando.

Aplicações práticas de substâncias e produtos como esses, que parecem mágicos, começam a fazer parte de nosso cotidiano, como resultado do progresso da nanotecnologia, um dos campos emergentes mais fascinantes e promissores da ciência e da tecnologia. Altamente interdisciplinar, a nanotecnologia envolve física, química, biologia, ciência dos materiais e praticamente todas as disciplinas da engenharia.

Segundo Henrique Eisi Toma, professor titular do Departamento de Química Fundamental do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), considerado um dos maiores especialistas nessa área no País, “a nanotecnologia fará uma revolução muito maior do que a da microeletrônica, e fará surgir especialidades tecnológicas ou industriais como a nanoquímica, os nanoplásticos, os nanotêxteis, a nanoeletrônica e até os nanocosméticos”.

Para se ter uma ideia mais clara da nanotecnologia, é essencial que compreendamos o mundo nano, ou seja, o mundo das dimensões muito pequenas. Em grego, nanós significa anão. Daí a palavra nanico.

Recordemos que o metro tem 100 centímetros. Ou mil milímetros. Ou um milhão de micrômetros. Ou um bilhão de nanômetros. Por outras palavras, um nanômetro equivale a um bilionésimo do metro. Vale lembrar ainda que um nanômetro pode comportar até 7 átomos alinhados. E um nanotubo de carbono é 100 mil vezes mais fino que um fio de cabelo. Conceitualmente, é bom lembrar que a nanotecnologia trabalha com partículas ou objetos que têm entre dez e 100 nanômetros.

O mais surpreendente nesse mundo nanométrico é que os materiais construídos nessa escala apresentam propriedades físicas e químicas bastante diferentes, graças aos efeitos da mecânica quântica.

O professor Toma explica que existem duas razões principais para as diferenças qualitativas no comportamento dos materiais em nanoescala. Primeira: os efeitos da mecânica quântica que se manifestam e passam a atuar nas dimensões muito pequenas e conduzem a uma nova física e nova química. A segunda é a relação entre uma superfície muito grande e o volume dessas estruturas.

O primeiro cientista a conceber a ideia da nanotecnologia foi o físico norte-americano Richard Feyman, ao proferir, em 1959, uma palestra na Sociedade Americana de Física, com o título de Há muito espaço lá em baixo (There”s plenty of room at the bottom). Ele começou sua palestra observando que a oração do Pai Nosso já havia sido escrita sobre a cabeça de um alfinete. Em seguida, perguntou ao auditório: “Por que não podemos escrever os 24 volumes da Enciclopédia Britânica nessa mesma cabeça de alfinete?”

Por ser muito nova, a nanotecnologia ainda enfrenta preconceitos e equívocos. Para refutá-los, o professor Henrique Toma, lembra: “Nosso mundo é essencialmente nanométrico. Ou seja, o mundo nano não é coisa nova, artificial, criada pelo homem. Ele está na natureza e em nós mesmos, nas biomoléculas que promovem a vida. Ele está no arco-íris, na asa da borboleta, no brilho das pedras e do asfalto, e em tudo que ingerimos, do leite ao café, e muita coisa que respiramos”.

Diversos fenômenos da natureza têm inspirado pesquisas em nanotecnologia, como, por exemplo, as características das patas das lagartixas que andam no teto sem cair. Ou no mundo das cores, pois as ondas de luz têm dimensões nanométricas. Até a cor azul dos olhos das pessoas é um bom exemplo porque não decorre de pigmentos, mas de um fenômeno do mundo nano.

“Muitos setores da tecnologia já trabalham nessa área”, explica o professor Toma, “com o propósito de produzir revestimentos coloridos sem o uso de pigmentos, ou que mudem de cor por meio de estímulos físicos ou químicos (efeito camaleão)”.

Há substâncias que têm uma grande afinidade pela água e, por isso, são chamadas de hidrofílicas. Outras, contrariamente, têm repulsa. São as hidrofóbicas. Sobre elas a água não consegue permanecer parada e acaba carregando todos os detritos de sujeira, tornando o material autolimpante. É o conhecido como efeito Lótus, observado através das gotículas brilhantes de água que ficam dançando sobre as folhas dessa planta aquática.

Esses fatos não são mera curiosidade. Na realidade, com base no efeito Lótus, a nanotecnologia deverá criar tecidos e revestimentos autolimpantes, para produtos como roupas de trabalho, capas de chuva e artigos esportivos.

Mais informações e a íntegra da entrevista do professor Henrique Toma estão no meu site www.ethevaldo.com.br

(O Estado de SP, 27/9)

Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=66392

Acesso em: 02 out. 2009.

Cinedebate Intec inaugura mostra “Demiurgo”

Posted Outubro 2, 2009 by intecpesquisa
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Cinedebate 3 foto 1

Com a exibição do filme Blade Runner, no último sábado, dia 26 de setembro, o Cinedebate Intec deu início à exibição de sua segunda mostra, nomeada de “Demiurgo”. A mostra tem por objetivo problematizar a criação de seres tecnológicos pelo homem. Blade Runner, marco cinematográfico da ficção científica, tem seu enredo construído em torno da idéia de uma Los Angeles futurista de 2019, contexto em que o homem coloniza espaços fora da Terra e cria seres geneticamente modificados para trabalhar nessas colônias.

Após a apresentação do filme, o público presente pôde discutir as diversas questões relacionadas ao universo da Ciência e da Inovação Tecnológica a partir da obra. O debate sobre Blade Runner explorou pontos como a ontologia humana, o conceito das máquinas, o sentido da existência e a relação criatura e criador. O futuro retratado no filme foi percebido como um tempo distópico, marcado pela falência do projeto iluminista e pela permanência da imperfeição humana, em que imanência e transcendência se apresentam em tensão.

Cinedebate 3 público

Ao final do evento, foi feita uma votação para decidir qual seria o filme assistido no próximo Cinedebate Intec, a ocorrer no dia 31 de outubro. “Frankenstein” foi o escolhido.  O filme americano de 1994 foi produzido por Coppola e baseia-se na obra de 1818 da escritora britânica Mary Shelley sobre um estudioso da Medicina que tem como objetivo criar um monstro que vença a morte.

Em novembro, o filme a ser exibido será “O Exterminador do Futuro 4”.

Cinedebate Intec

As sessões do Cinedebate Intec ocorrem sempre no último sábado do mês, às 9h, no Auditório I do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFMT. O condutor dos debates é o professor do departamento de Sociologia e Política e coordenador do Intec, Dr. Joel Pese.

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Programação Completa Cindebate Intec

Trailer de Frankenstein

Cerrado: Soja chinesa virou brasileira e Cerrado se tornou celeiro do País

Posted Setembro 29, 2009 by intecpesquisa
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Epopéia científica dos pesquisadores da Embrapa permitiu a introdução da planta, originária da China, no bioma

Herton Escobar escreve para “O Estado de SP”:

 As árvores de casca grossa, caules retorcidos, e o chão de terra poeirenta não deixam dúvidas: o cerrado não é lugar para qualquer plantinha. Durante seis meses do ano, entre maio e setembro, não cai uma gota de chuva nesse interiorzão brasileiro. E mesmo quando chove, o solo nativo é imprestável para a agricultura: ácido, cheio de alumínio tóxico e pobre em quase todos os nutrientes essenciais.

 Só mesmo um louco – ou um bando de cientistas destemidos – para achar que esse ambiente de biodiversidade riquíssima, porém aparentemente inóspito e improdutivo, poderia se tornar um dos canteiros mais férteis da agricultura mundial. Mas aconteceu. Foi obra da Embrapa. Trinta anos atrás, a recém-criada Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária lançou sua maior “insanidade” científica: pegou uma planta de origem chinesa, típica de climas temperados, e fez dela a rainha da agricultura tropical.

 A soja, que até os anos 70 só podia ser plantada do Paraná para baixo, onde o clima era mais parecido com o da China, virou-se para o norte e tomou conta do cerrado. Invadiu Mato Grosso do Sul, avançou pelas bordas do Sudeste, conquistou Goiás, criou raízes em Mato Grosso, subiu pelo Tocantins, embrenhou-se no Maranhão e foi bater na porta da Amazônia. “Hoje temos tecnologia para cultivar soja em qualquer lugar do País, em qualquer época do ano”, diz o pesquisador Plínio Souza, da Embrapa Cerrados, um dos principais responsáveis pela invenção da soja tropical. “É uma tecnologia 100% brasileira.”

 Em pouco mais de três décadas, turbinada pela nova genética verde-e-amarela, a oleaginosa chinesa transformou-se no maior produto do agronegócio brasileiro. Em 2007, a indústria da soja movimentou R$ 41,3 bilhões em grãos, máquinas, sementes, fertilizantes, pesticidas, logistica, mão-de-obra, refino de óleo, produção de ração animal e outros componentes da cadeia produtiva. Isso equivale a 6,4% do PIB agrícola e 1,6% do PIB total do País.

 Os cálculos foram feitos pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a pedido do Estado. Só as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) renderam R$ 26,2 bilhões no ano passado, e a expectativa é que passem dos R$ 32 bilhões em 2008.

 Apesar não ser vista tradicionalmente como um “alimento” – a exemplo do arroz, do feijão e do milho, que são consumidos diretamente no prato -, a soja está embutida, direta ou indiretamente, em boa parte da dieta brasileira. É ingrediente básico de muitos alimentos industrializados no supermercado, na forma de lecitina ou óleo, e principal fonte de proteína na ração de suínos e aves, na forma de farelo. Só fica fora do menu do boi, que come principalmente pastagem.

 ”Quando você come frango e porco, está comendo proteína de soja”, diz o secretário-geral da Abiove, Fabio Trigueirinho. Segundo ele, seria impossível o Brasil abrir mão dessa cultura. “Se deixássemos de produzir soja, teríamos de importar.”

 No rastro da soja no cerrado vieram o milho, o feijão, o arroz, as máquinas, os fertilizantes, as estradas, a construção civil e os vilarejos transformados em metrópoles da noite para o dia com a riqueza do agronegócio. “Falar de soja é falar de muita coisa. Os benefícios sociais e econômicos, diretos e indiretos, são enormes”, diz o ex-presidente da Embrapa, Silvio Crestana.

 De mera periferia agrícola, o cerrado virou o celeiro de quase metade dos alimentos brasileiros. Hoje, 40% dos 200 milhões de hectares do bioma estão ocupados com 61 milhões de hectares de pastagens e 17,5 milhões de hectares de plantações.

 Segundo cálculos da Embrapa e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é desse território que saem 47% dos grãos (soja, milho, arroz, feijão, sorgo e algodão caroço), 40% da carne bovina e 36% do leite produzidos no País. “A incorporação do cerrado à agricultura foi a maior conquista do Brasil”, afirma José Garcia Gasques, coordenador-geral de Planejamento Estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

 No caso da soja, a contribuição do cerrado cresceu dez vezes entre as décadas de 70 e 80, passando de 2% para 20% da produção nacional do grão. No ano passado, chegou a 68,5%. De fato, a soja foi tão bem adaptada ao cerrado que hoje ela é muito mais produtiva no Centro-Oeste do que no Sul, onde foi originalmente introduzida. Em Mato Grosso, os melhores produtores chegam a ensacar 4,6 toneladas de soja por hectare (a maior produtividade do mundo), enquanto no Rio Grande do Sul a produtividade média é de 2 toneladas por hectare (a menor do Brasil).

 Uma questão de luz

 A soja que brota hoje no cerrado é muito diferente da que foi levada da China para os Estados Unidos, 200 anos atrás, e de lá trazida para o Brasil, no fim do século 19 – sempre restrita a regiões de clima temperado, próximo ou acima dos 30 graus de latitude. O pacote completo de conversão tecnológica inclui sementes, solo, microrganismos fixadores de nitrogênio e práticas adequadas de manejo – todos fatores essenciais para a produtividade da lavoura. Mas a diferença crucial está mesmo no DNA da planta, que os cientistas brasileiros retemperaram para adaptá-la ao cardápio climático tropical.

 Curiosamente, a principal adaptação que os pesquisadores tiveram de fazer não foi para altas temperaturas nem para escassez de água (que é abundante nos meses de primavera e verão), mas para o chamado fotoperíodo – o tempo de luz ao qual a planta precisa ficar exposta para se desenvolver.

 A soja é uma leguminosa que gosta de dias longos, com mais de 12 horas de radiação solar. Nas regiões temperadas de alta latitude, onde ela se originou, isso é fácil: no verão, por causa da inclinação da Terra, os dias passam facilmente das14 horas de luz. Já nas regiões tropicais, próximas ao Equador, como é o caso do cerrado, os dias e as noites são menores e mais constantes. Na altura do paralelo 16, onde fica Brasília, o fotoperíodo máximo no verão é de 13 horas e meia. E para uma planta, meia hora a mais ou a menos de luz por dia faz muita diferença.

 Em condições de menor período de luz, a soja floresce precocemente e pára de crescer. Sem o melhoramento genético feito pela Embrapa, a soja plantada no cerrado floresceria mais cedo e não cresceria mais do que 30 centímetros, o que seria impraticável do ponto de vista econômico.

 A pesquisa permitiu retardar o florescimento e, com isso, aumentar a chamada fase vegetativa (ou pré-reprodutiva) da planta de 30 dias para 45 dias, anulando o efeito do fotoperíodo sobre o florescimento. “É como se a gente retardasse o início da puberdade na espécie humana para termos indivíduos maiores”, compara Souza.

 Hoje, a altura média da soja no cerrado é de 80 cm e os produtores podem optar por variedades de ciclo reprodutivo curto, médio ou longo, dependendo das condições de cada região.

 Seleção artificial

 O melhoramento genético na agricultura obedece aos mesmos princípios da evolução por seleção natural, segundo os quais os indivíduos mais adaptados ao ambiente são naturalmente selecionados para sobreviver e passar seus genes para as próximas gerações. A diferença é que a seleção nesse caso não é feita pelo homem, em vez da natureza.

 Assim como cada pessoa é um pouco diferente da outra, cada pé de soja é um pouco diferente do outro. Uns crescem mais rápido, outros produzem mais grãos, outros resistem melhor a uma determinada doença ou precisam de menos água para sobreviver. O que os cientistas “melhoristas” fazem é selecionar anualmente as melhores plantas de cada lavoura de pesquisa, que são então usadas como matrizes para a produção de novas variedades.

 É um processo lento, trabalhoso, que tipicamente passa por milhares de cruzamentos. A cada safra, pesquisadores da Embrapa selecionam 50 mil linhagens de soja e estabelecem 300 experimentos de campo, com 30 linhagens cada um. Cada nova variedade leva de oito a dez anos de pesquisa para ficar pronta.

 Plinio Souza leva a reportagem do Estado até um galpão da Embrapa Cerrados onde estão armazenados milhares de saquinhos com amostras de soja selecionadas de várias regiões. Do lado de fora, técnicos debruçados sobre uma mesa passam as mãos por uma pilha de grãos, catando e eliminado aqueles que têm algum defeito, da mesma forma como uma dona de casa “cata feijão” antes do jantar. Só os melhores grãos permanecem no páreo para virar uma nova variedade. “É daqui que vai sair a soja que estará no campo em dez anos”, profetiza o pesquisador.

Souza sabe do que está falando. Foi ele quem selecionou, no início da década de 80, a primeira variedade lucrativa de soja para o cerrado, chamada Doko. Extremamente rústica e ao mesmo tempo produtiva, ela podia ser plantada em áreas recém-abertas (desmatadas), com bons retornos logo na primeira safra. Outras variedades precisavam de pelos menos três anos de cultivo de alguma outra cultura para dar o mesmo resultado, o que tornava o investimento inicial de abertura e correção do solo muito arriscado. “A Doko abriu de vez o cerrado para a soja”, afirma Souza. O resto da agricultura veio no embalo.

 Enquanto Souza selecionava as linhagens mais promissoras no campo, os cruzamentos genéticos eram feitos nos laboratório da Embrapa Soja, em Londrina, pelo melhorista Romeu Kiihl. A Doko, segundo ele, nasceu de uma mistura de variedades americanas e indonésias. “Pegamos o que tinha de bom em cada uma delas e juntamos”, conta. Ele calcula que 50% dos ganho de produtividade da soja nas últimas três décadas deve-se ao melhoramento genético. A média nacional, que era de 1.700 kg/hectare na década de 80 saltou para 2.800 kg/hec, em 2006.

 Solos e nitrogênio

 Juntos, Souza e Kiihl plantaram as sementes tecnológicas de boa parte do PIB agrícola brasileiro. Nem mesmo a melhor soja, com a melhor das genéticas, porém, teria tido qualquer chance de sucesso no cerrado se não fosse por duas outras frentes de pesquisa: o melhoramento de solos e a fixação biológica de nitrogênio.

 O solo nativo do cerrado é extremamente ácido (pH 4) e carente de nutrientes básicos, como cálcio, fósforo e potássio. “Não dá para produzir nada”, resume o agrônomo José Roberto Peres, hoje chefe de gabinete da presidência da Embrapa. Foram necessários muitos anos de pesquisa para chegar a uma receita eficiente de corretivos minerais e fertilizantes capazes de compensar essa deficiência. Especialistas calculam que, sem essa “correção”, a produtividade da soja no solo nativo do bioma não passaria de 0,3 tonelada/hectare. Ou seja: seria impraticável.

 O ingrediente mais importante dessa receita, porém, não é um fertilizante químico, mas uma bactéria. Seu nome é Bradirhizobium japonicum, ou simplesmente rizóbio. Ela vive uma relação de simbiose com a soja, retirando nitrogênio do ar e transferindo-o para a planta em troca de carboidratos metabólicos. Sem essa parceria, os produtores teriam de adicionar 360 quilos de adubo nitrogenado (uréia) por hectare de solo para que a soja rendesse alguma coisa no cerrado. “Seria economicamente impossível”, afirma Peres. “Em vez disso, a bactéria tira todo o nitrogênio do ar. Não precisamos adicionar nada.”

 Toda a soja cultivada no Brasil utiliza o nitrogênio do rizóbio inoculado na semente. A medida que a planta se desenvolve, a bactéria se multiplica e forma nódulos nas raízes, que funcionam como usinas biológicas de nitrogênio. A tecnologia foi desenvolvida pela lendária bióloga Johanna Döbereiner, da Embrapa, morta em 2000. Peres foi um de seus alunos.

 Ferrugem

 O melhoramento genético não termina nunca, pois sempre há novas dificuldades a serem superadas. A principal ameaça à produção de soja no País hoje é a ferrugem, uma doença também de origem asiática que chegou ao Brasil em 2001. O fungo entrou pelo Paraná e rapidamente se espalhou por todo o País, causando prejuízos de US$ 125 milhões logo no primeiro ano e de US$ 2,4 bilhões, na safra 2007/08, segundo cálculos do Consórcio Antiferrugem, criado em 2004 para combater a epidemia.

 Há várias fungicidas disponíveis no mercado, mas o controle é difícil. E caro: cada aplicação custa o equivalente a três sacas de soja por hectare. Desde 2007, o Ministério da Agricultura estabeleceu um regime nacional de “vazio sanitário”, um período de 90 dias na entressafra durante o qual é proibido ter soja verde no campo, como forma de cortar a propagação do fungo.

 Empresas do setor público e privado prometem plantas resistentes para o mercado em 2009. “Não vamos eliminar a necessidade de fungicidas, mas acho que vai ajudar bastante”, avalia Romeu Kiihl, que há cinco anos trocou a Embrapa (onde estava há 25) pelo setor privado. Hoje é diretor científico da TMG Tropical Melhoramento e Genética, uma empresa nos arredores de Londrina que também desenvolve variedades de soja resistentes à ferrugem.

 Tanto a Embrapa Cerrados quanto a TMG lançaram suas primeiras variedades resistente à ferrugem em maio deste ano, no Congresso Brasileiro de Soja.

 Ciência vai a campo contra o aquecimento

 O dia mal começou e os termômetros já marcam acima dos 30 graus em Formoso do Araguaia, no sudoeste do Tocantins. Ofuscado pelo sol quente de inverno, o biólogo Sérgio Abud debruça-se sobre uma plantação de soja em que as plantas, mesmo já adultas e prontas para colheita, não chegam a 30 centímetros de altura.

 ”Essa era a típica lavoura de soja no Cerrado nos anos 70″, conta o pesquisador da Embrapa. E o pior: “Pode ser a típica lavoura do futuro também, se não fizermos o melhoramento genético agora.”

 O problema é o calor. Abud, assim como tantos outros cientistas ligados ao setor agrícola, está preocupado com o aquecimento global. As previsões indicam que as mudanças climáticas ocasionadas pelo aumento da temperatura do planeta vão alterar drasticamente as condições de cultivo em várias regiões do País.

 A perda de produtividade poderá ser dramática em algumas áreas, com consequências graves para a segurança alimentar e a sustentabilidade – ambiental, social e econômica – do agronegócio brasileiro, segundo um estudo de especialistas da Embrapa e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 A agricultura é a atividade que mais depende do clima e, portanto, a mais vulnerável às mudanças climáticas. O agricultor pode adubar o solo, construir açudes, selecionar sementes, mas não pode controlar a atmosfera. Cada planta tem seu tempo certo de plantio e colheita. Se a chuva que costuma chegar na primeira semana do mês começa a chegar na última, o planejamento de uma safra inteira pode ir por água abaixo.

 Mais prejudicadas

 A perda somada de áreas propícias para algodão, arroz, café, feijão, girassol, milho e soja poderá passar de 15% das áreas atuais já em 2050, se nada for feito para adaptar as lavouras aos efeitos do aquecimento global. A cultura que deverá ser mais prejudicada é a mais importante da balança comercial brasileira: a soja. Mesmo com todo o melhoramento genético das últimas décadas, a oleaginosa sino-brasileira poderá perder mais de 40% das áreas propícias para plantio em 2070.

 As únicas beneficiadas pela mudança climática, segundo o estudo, serão a mandioca e a cana-de-açúcar. “Boas notícias para a produção de etanol, más notícias para a produção de alimentos”, resume o pesquisador Eduardo Assad, chefe da Embrapa Informática Agropecuária, em Campinas.

 No Tocantins, Abud e seus colegas da Embrapa Cerrados procuram linhagens de soja que sejam naturalmente tolerantes a altas temperaturas para serem usadas no desenvolvimento de novas cultivares. “Não podemos esperar o problema chegar, temos de pesquisar agora”, diz Abud, lembrando que uma nova variedade pode levar dez anos para ficar pronta.

 Formoso do Araguaia é o laboratório perfeito para o trabalho. Localizado bem no meio do Cerrado, a temperatura no município chega aos 40 graus no meio do ano. Um sistema de irrigação subterrânea permite que os experimentos sejam feitos até mesmo nos períodos mais secos. “Aqui é a prova de fogo”, anuncia o pesquisador Plínio Souza, da Embrapa Cerrados. “A soja que for bem aqui vai bem em qualquer lugar.”

 Em uma visita de trabalho à região, acompanhada pelo Estado, ele caminha por entre as folhagens de um grande “jardim” experimental da Embrapa. A área de 7 hectares, instalada ao lado de uma lavoura comercial, está dividida em centenas de parcelas de 40 metros quadrados, cada uma plantada com uma variedade diferente de soja. Algumas diferenças são óbvias até para um leigo: parcelas com plantas verdes e vistosas versus plantas amarelas e ressecadas. Em outras, só o especialista vê: o grau de amadurecimento das vagens, o teor de umidade dos grãos, a capacidade da planta de adaptar o ângulo de suas folhas para captar a maior quantidade de luz.

 Souza está atento a tudo. Ele passeia pelas parcelas, inspeciona as plantas com as mãos, mastiga algumas sementes e dá o veredicto: “Essa é boa para Brasília”, “essa é boa para o Maranhão”, “essa aqui já era”.

 Próxima ao experimento está a plantação de soja miúda indicada por Abud. Trata-se de uma variedade “gaúcha”, que foi plantada ali apenas para multiplicação de sementes, aproveitando o sistema de irrigação local. “Você planta essa soja no Rio Grande do Sul e ela fica enorme”, diz o pesquisador – um exemplo perfeito da necessidade de compatibilidade genética entre a planta e o ambiente.

 O problema é que o calor altera a biologia da planta e acelera seu metabolismo, fazendo com que ela floresça mais cedo ou aborte suas sementes. Consequentemente, a soja cresce menos e produz menos. Além disso, há o estresse hídrico. Assim como os seres humanos, as plantas e o solo transpiram mais – perdem mais água – quando a temperatura aumenta. A reação do vegetal, também nesse caso, é acelerar seu crescimento e florescer mais cedo.

 Milhares de quilômetros ao sul de Formoso, na sede da Embrapa Soja em Londrina (PR), quem está atento a isso é o biólogo Alexandre Nepomuceno. Em parceria com cientistas japoneses, ele desenvolve desde 2004 uma variedade de soja transgênica tolerante à seca. Para isso, introduziu no DNA da soja um gene extra “de alerta”, que permite à planta detectar e reagir à falta de água de forma muito mais rápida e eficiente – por exemplo, fechando os estômatos de suas folhas para reduzir a transpiração. 

 ”Nenhuma planta é totalmente resistente à seca. O que queremos é amenizar as perdas, dando mais tempo para a soja se defender”, explica Nepomuceno. Os primeiros testes de campo foram autorizados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e deverão ser realizados ainda neste ano. Experimentos feitos em ambiente controlado mostram que a soja com o gene é até 10% mais tolerante à seca do que a convencional.

 Recursos escassos

 Os resultados até agora são bons, mas são poucos. Segundo os cientistas, a quantidade de recursos disponíveis para pesquisas de adaptação às mudanças climáticas ainda está longe do ideal. “Tem muita coisa sendo feita, mas deveria ter muito mais. Poderíamos estar mais adiantados”, diz o agrônomo Hilton Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp.

 ”Não estamos fazendo terrorismo. As soluções existem, mas precisamos agir rápido”, completa Assad. Segundo ele, a Embrapa investe atualmente R$ 40 milhões em pesquisas sobre mudanças climáticas – incluindo R$ 30 milhões para o melhoramento genético de plantas. “É um bom começo, considerando que três anos atrás não tinha nada.”

 As agências governamentais de fomento também demoraram para prestar atenção no tema. Tanto que o estudo sobre o impacto do aquecimento global na agricultura, que Hilton coordenou com Assad, foi 100% financiado e encomendado pela embaixada britânica. Só no ano passado a Fapesp e o CNPq lançaram programas de pesquisa importantes nessa área. “Acho que ainda faltava as pessoas se convencerem de que isso é um problema de verdade”, avalia Hilton.

(O Estado de SP, 27/9)

 Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=66299

Acesso em: 28 set. 2009.

Terceira sessão do Cinedebate INTEC discute filme “Blade Runner”

Posted Setembro 15, 2009 by intecpesquisa
Categories: Filosofia da Tecnologia, Notícias de tecnologia, Sociologia da Tecnologia

Bladerunner cartaz final

O Cinedebate Intec chega a sua terceira edição inaugurando a mostra “Demiurgo” com o filme de ficção científica “Blade Runner”.  A próxima edição do evento ocorre no dia 26 de setembro, às 9h, no Auditório I do ICHS (Instituto de Ciências Humanas e Sociais). Segue-se à exibição da obra, debate conduzido pelo prof. Dr. Joel Paese, do departamento de Sociologia e Ciência Política da UFMT.

Blade Runner é um filme estadunidense de 1982 que retrata uma visão futurística de Los Angeles no ano de 2019. A humanidade inicia um processo de colonização espacial e cria seres geneticamente alterados para realizar tarefas nas novas colônias. O longa faz parte da segunda mostra da iniciativa, denominada de  “Demiurgo”, a qual tem por finalidade problematizar a criação de seres tecnológicos pelo homem. Que relação homem-máquina o futuro reserva? Pode a criatura voltar-se contra o criador? Seres criados pelo homem podem ter algum sentido para a sua existência? Essas são algumas das questões que o debate do dia 26 pretende abordar.

Para o coordenador do Grupo Intec, Joel Paese, o filme “é uma tentativa refletir sobre questões sociológicas formuladas a partir do uso de tecnologias que, possivelmente, serão parte da experiência existencial humana. Nessa perspectiva, a obra de Ridley Scott será importante para pensar sobre a relação dos indivíduos e das instituições com a tecnologia, em vista de sua necessária convivência. Mais além: essa visão polar se sustenta no futuro preconizado por “Bladerunner”? Como analisar os nexos sociológicos entre essas três realidades, do ponto de vista da concepção moderna de controle racional?”, questiona.

Além de Blade Runner, a mostra Demiurgo inclui os filmes “Frankstein” e “O Exterminador do Futuro 4”. Ao final da próxima sessão, o público poderá escolher a ordem dos filmes a serem exibidos na mostra.

Mais:

Trailer de Blade Runner

Programação completa Cinedebate Intec

As glórias do IPCC, que já ganhou um Nobel, derretem rapidamente

Posted Setembro 15, 2009 by intecpesquisa
Categories: Notícias de tecnologia

Países ainda não adotaram políticas práticas de redução de emissões. Desafio é traduzir ciência complexa para causar reações significativas.

Andrew RevkinDo ‘New York Times’

Dois anos atrás, uma cúpula científica internacional atraiu atenção mundial ao reportar que a atividade humana estava aquecendo o planeta de formas que poderiam afetar seriamente os seres humanos. O trabalho do grupo, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 2007 com o vice-presidente americano Al Gore. Após duas décadas entregando relatórios ao mundo sem fanfarra, ele subitamente conquistou ampla audiência.

Contudo, enquanto o painel se prepara para seu próximo relatório, muitos especialistas em ciência e política do clima, tanto dentro quanto fora da rede, avisam que ele pode rapidamente perder relevância – a menos que ajuste o método e o foco.

Embora o painel, fundado em 1988 e operando sob proteção da Organização das Nações Unidas, tenha colecionado prêmios e aclamações, há poucas evidências de que os países estejam fazendo algo prático em reação a seus avisos. As emissões de gases aumentaram. Conversas sobre o novo tratado do clima permanecem basicamente travadas.

“Como a mesma dificuldade de se agarrar a cauda de um tigre, o IPCC conseguiu a atenção mundial, mas agora o desafio é fazer o tigre seguir na direção correta”, disse Michael MacCracken, antigo colaborador dos relatórios do painel e cientista-chefe do Climate Institute, um grupo sem fins lucrativos. “Para o IPCC, isso significa oferecer diretrizes que vão minimizar os impactos climáticos e maximizar os investimentos num futuro próspero e sustentável.”

Ambientalistas afirmam que os relatórios do painel são atrapalhados pela exigência de que os governos patrocinadores aprovem seus resumos linha por linha. Ao mesmo tempo, cientistas que questionam a probabilidade de uma interferência calamitosa no clima da Terra acusam o painel de escolher a dedo os estudos e subestimar os níveis de incerteza acerca da severidade do aquecimento global.

Rajendra Pachauri, diretor do IPCC, rejeitou a acusação de preconceito, apontando que os relatórios produzidos pelo organismo são revistas de forma transparente por pares. Mas ele reconheceu os desafios que o grupo enfrenta ao traduzir ciência complexa de uma forma que produza reações significativas.

Disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1267965-5603,00-AS+GLORIAS+DO+IPCC+QUE+JA+GANHOU+UM+NOBEL+DERRETEM+RAPIDAMENTE.html

Agropecuária: além da vilania vista por alguns, uma atividade consciente e ética, artigo de Carlos R. Spehar e Carlos Alberto S. Oliveira

Posted Setembro 15, 2009 by intecpesquisa
Categories: Notícias de tecnologia, Sociologia da Tecnologia

Quinta-Feira, 03 de setembro de 2009

JC e-mail 3841, de 03 de Setembro de 2009.

“A tecnologia disponível, quando aplicada corretamente, permite atingir níveis de rendimento elevados e ainda assim conservando o ambiente”

Carlos Roberto Spehar e Carlos Alberto S. Oliveira são professores da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB. Artigo enviado pelos autores ao “JC e-mail”:

A agropecuária tem sido o sustentáculo da vida humana através da produção de alimentos de origem vegetal e animal, sem contar as inúmeras matérias-primas que, a cada dia, se tornam mais imprescindíveis em nossas vidas. Foi como agricultor que o ser humano deixou a vida nômade e extrativista, fixando-se em povoamentos que cresceram, formando cidades. Ao longo do tempo, a vida social intensificou-se, permitindo a expressão e o desenvolvimento da inteligência, apoiada nas fontes da natureza.

Entretanto, tem sido alvo de bombardeios inconseqüentes, apoiados em “meias verdades científicas”. Vejam-se os exemplos e a falta de fundamentos respectivos. O mundo consome cada vez mais carne e leite e, constantemente, enfatizam-se as conseqüências: aumento na emissão de gases de efeito estufa, como o metano no “arroto” dos ruminantes (bovinos, caprinos, ovinos etc).

Desconsidera-se que o animal, ao se desenvolver, imobiliza elementos químicos, incorporando-os em ossos, músculos e couro; ou os exporta em forma de alimentos como leite e derivados, em maior proporção do que libera.

A querela não para aí. Os que pretendem transformar a agropecuária em vilã têm outros argumentos. Arrazoam que em cultivos irrigados, o custo da água e a perda de nutrientes fazem com que a produção de grãos seja danosa pelas mesmas razões do “arroto”.

De novo, deixam de considerar que o arroz, nessas condições, imobiliza e exporta nutrientes da planta como um todo. Depois de colhidos os grãos, a massa vegetal restante se transforma em resíduo orgânico que leva tempo para se decompor, compensando, com saldo positivo, as emissões. Ademais, contribui para melhorar as condições físicas e químicas do solo, criando base sustentável à produção de alimentos.

Por outro lado, o petróleo realmente só emite, pois o carbono não se imobiliza a não ser pela ação das plantas e animais. Portanto, toda a produção dos seres vivos emite carbono, mas, também o fixa em grande quantidade. É preciso aprender a calcular o balanço de carbono ou equação de continuidade, antes de qualquer afirmação tendenciosa.

Eis outro exemplo: quando se investe em correção de solo, como no Cerrado, transformando o ambiente pobre em nutrientes, então a crítica fica exacerbada. Tenta-se por todos os meios provar que a ação do homem destrói o equilíbrio de forças da natureza.

Ora, a biomassa e energia vegetal e animal, produzida no ambiente enriquecido por calagem e fertilização, é muitas vezes superior ao original. Novamente, a imobilização de carbono (retirando CO2 do ar por efeito da fotossíntese) aumenta e a agropecuária presta um serviço à humanidade. A transformação positiva do Cerrado não pode ser desvirtuada.

Portanto, há que se cuidar da percepção enviesada e de interesses duvidosos. Muitas ONGs postulam acusações sem levar em conta a relação entre o que se emite e o que fica retido. Pior ainda, induzem a mídia e os menos informados a engrossar fileiras a seu favor.Aí fica a pergunta: aonde querem chegar?

Vale dizer que os tendenciosos de tanto alarde talvez não existissem, tampouco sua filosofia, não fosse pelo alimento produzido com tanta consciência, determinação e bravura. É preciso cuidar de “Gaia”, mas também da casa de cada ser humano inserido nela, tendo em foco a cozinha de cada habitante do planeta. Isto merece meditação.

Quantos se beneficiam dessa empreitada fenomenal, embasada em tecnologia? Ou seja, enquanto o Homo urbanus polui apoiado na matriz energética da qual nos tornamos escravos, o Homo agricola, faz a sua parte, salvando o sistema. Quem é o vilão?

As opiniões veiculadas pela mídia, muitas vezes com dinheiro público, tem contribuído para a formação de consciência urbana elitista. A imagem que deixam é que os irresponsáveis estão no meio rural, esquecendo-se que o sistema só se torna técnica, social, econômica e ambientalmente sustentável se apoiado por todos.

Por que, ao invés de condenar, não se investe em pesquisa independente buscando identificar onde é preciso melhorar? Que fique bem claro: não se está defendendo a produção qualquer custo. A tecnologia disponível, quando aplicada corretamente, permite atingir níveis de rendimento elevados e ainda assim conservando o ambiente.

Quando se pensa em agropecuária amiga do ambiente, imagina-se o apoio da ciência que se transforma em tecnologia. Isto precisa estar dentro das prioridades, como política pública de longo prazo. Junto à geração, vem a forma de aplicar, sempre a serviço da humanidade, sem imposições infundadas ao desenvolvimento.

Isso parece simples, porém precisa ser decodificado. Mais ainda tem-se que apresentar as razões para que a população em geral entenda. Com a geração contínua de tecnologia, descobrem-se as melhores combinações dos fatores de produção.

Ou seja, com o emprego de variedades melhoradas em diversidade de cultivos, associados à correção e fertilização do solo em equilíbrio, manejo integrado de plantas, do solo, de pragas, doenças e espécies invasoras, pode-se melhor explorar o potencial produtivo, com balanço favorável.

Ao se aumentar a eficiência, maximizando a relação benefício/custo, tem-se, como resultante, a intensificação da atividade em áreas já incorporadas à produção. Racionaliza-se o seu uso, poupando o ambiente e mantendo as reservas. Ou, quando o agricultor se capitaliza, aplicando tecnologia, novas investidas sobre o ambiente são evitadas.

Portanto, é errôneo imaginar que nas práticas agropecuárias não se medem conseqüências. Há riscos mesmo quando se protege, de forma inconseqüente e a qualquer custo, o ambiente. Produção agropecuária e proteção ambiental não são incompatíveis como muitos querem fazer a sociedade internalizar.

Um dos caminhos a seguir, implica em política pública de longo prazo, com investimento na formação de profissionais para o setor agropecuário. Nada do que existe, seja avançado ou de domínio público tradicional, se põe em prática sem educação, treinamento. Pode funcionar assim: a popularização de tecnologias é atingida quando se sabe demandar, por se conhecem os processos produtivos, e, em conseqüência, como interferir. Daí toma-se a decisão do que produzir, como e onde fazê-lo.

Torna-se necessário conscientizar os produtores, pequenos ou grandes, sobre sua importância e contribuição para minorar o efeito estufa, livrando-o do complexo de culpa que nele tem sido inculcado. Depois de uma queimada acidental a vegetação, ao crescer de novo, incorpora carbono ao longo do tempo. Veja-se a dinâmica da vida com otimismo.

Um agricultor profissionalizado, confiante, esclarecido e orgulhoso de seu trabalho deixa de pensar em como rolar dívidas, pois tenderá a superar essa limitação. Passa a se preocupar em como reduzir o passivo ambiental de ações passadas. Estas não decorrem de culpa, mas da alternativa do que lhe foi possível fazer com os meios disponíveis à época.

O produtor agropecuário consciente sobre o balanço positivo da atividade, contrabalançando a emissão de gases estará pronto a atingir metas realistas.

Enquanto se aprimoram os sistemas de produção, técnicas não tendenciosas devem ser desenvolvidas para medir o saldo dos efeitos da ação humana e os resultados tornados públicos, possibilitando demonstrar o equívoco de julgamento ou mesmo preconceitos.

Aí sim, avançando na milenar arte e ciência de trabalhar a terra, as plantas e os animais, os agricultores rebaterão comentários infundados sobre sua atividade. Eles contarão com a ajuda de profissionais treinados e as pessoas sensíveis do meio urbano.

Em decorrência do sucesso, toda a nação terá orgulho de voltar-se para nossa vocação inquebrantável. E se deixará para sempre a imagem de vilania, resgatando o herói hoje perdido no anonimato dessas imensas e bucólicas paisagens brasileiras.

Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65819

Morreu Norman Borlaug, prêmio Nobel da Paz e pai da “Revolução Verde”

Posted Setembro 15, 2009 by intecpesquisa
Categories: Notícias de tecnologia

Norman Borlaug morreu em Dallas (Texas) por causa de um câncer, informou um porta-voz da Universidade do A&M do Texas, especializada em agronomia, onde o prêmio Nobel trabalhava desde 1984.

Os trabalhos de Borlaug sobre a reprodução vegetal permitiram aumentar a produção agrícola na América Latina e na Ásia e lhe valeram o reconhecimento internacional.

Entre outras coisas, trabalhou com variedades de cereais de alto rendimento, contribuindo para evitar fomes em massa que se antecipavam nos anos 60.

Suas descobertas lhe valeram o apelido de “pai” do chamado movimento da Revolução Verde e o Prêmio Nobel da Paz em 1970.-”Norman Borlaug é o homem que mais salvou vidas na história da humanidade “, afirmou neste domingo Josette Sheeran, diretora do Programa Mundial de Alimentos (PAM) da ONU, enfatizando que “sua dedicação total à erradicação da fome revolucionou a segurança alimentar de milhões de pessoas em inúmeros países “.

Nascido em 1914 no Iowa (centro), Norman Borlaug começou sua carreira antes da Segunda Guerra Mundial no serviço florestal dos Estados Unidos, depois de estudar na Universidade de Minnesota (norte). Como muitos americanos do Meio Oeste, vinha de uma família originária do norte da Europa. “Passou sua infância em uma granja do Iowa, influenciado pelas lições de seu avó norueguês com base no senso comum “, recordou a Universidade A&M em um comunicado.

Foi o que o levou a se interessar pela alimentação. “A civilização tal como a conhecemos atualmente não teria podido evoluir nem sobreviver sem uma quantidade suficiente de alimentos”, enfatizou, em seu discurso ao receber o Prêmio Nobel da Paz em 1970.

A partir de 1944, Borlaug iniciou duas décadas de trabalhos junto a cientistas mexicanos para desenvolver uma nova variedade de trigo que seria introduzido em seguida na Índia e no Paquistão.O trigo anão permitiu alcançar rendimentos duas a três vezes superiores aos das variedades clássicas. Segundo os próprios cálculos de Borlaug, permitiu praticamente duplicar a produção de trigo da Índia e Paquistão, entre 1965 e 1970, equivalente a um aumento de mais de 11 milhões de toneladas.

Este êxito, em uma época na qual se temia e antecipava grandes fomes, lhe valeu fama mundial e seu trigo anão começou a ser cultivado em toda a América Latina, no Oriente Médio e na África.Quando ganhou o Nobel, prometeu continuar trabalhando em seu objetivo com “um exército de combatentes da fome durante toda a vida”.

Borlaug recebeu as duas maiores distinções civis nos Estados Unidos: a Medalha da Liberdade concedida pelo presidente dos Estados Unidos e a Medalha de Ouro do Congresso. Também recebeu distinções de inúmeras universidades, da Índia à Bolívia.Era um fervoroso defensor das biotecnologias e as manipulações genéticas. “O público deve ser informado melhor sobre a importância das biotecnologias na produção alimentar e será menos crítico”, afirmou, em 2002, em uma entrevista à ActionBioscience.org. Norman Borlaug teve dois filhos. Sua esposa, Margaret, faleceu em 2007.

 Disponíve lem:  http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5iaC5U6Z2kSDnFKBWUNQhWROeVLkw

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Posted Setembro 9, 2009 by intecpesquisa
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